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Parte I- Quando um oceano rompe o convívio... quinta-feira, maio 31, 2012


   Ainda lembro do abraço de despedida, da imagem dele com os olhos vermelhos querendo chorar no portão da casa dele. Eu e meu filho dentro do carro partindo rumo ao nosso destino e lá naquela velha ilha, uma parte enorme da minha vida, um pedaço precioso do meu coração estava ficando. Meu pai nunca me impediu de seguir meus caminhos e nunca se opôs de forma rígida contra minhas escolhas. Ele sempre foi meu amigo, o melhor até então que Deus poderia me dar. Sempre procurou me compreender e me fazer ver que independente de qualquer coisa, ele sempre estaria comigo, em qualquer momento. Sempre me instruiu e deixou-me livre para escrever minha história, vibrando quando eu acertava, me amparando e me fortalecendo quando eu fracassava. Foi um pai amoroso e protetor, o melhor que eu podia ter, pois até com os defeitos dele eu pude aprender.
  Um tempo, outro tempo e mais um tempo se passaram, nem sei dizer se tudo passou rápido que nem me dei conta ou se foram poucos diante da sensação de séculos que a saudade acarreta. A vida aqui em terras lusas passava e ela só passava, acontecimentos burlaram meus planos e o reencontro que eu julgava ser breve antes de sair do Brasil tardava acontecer. Creio que mais que eu, que estava compenetrada em meus problemas, meu pai era a pessoas que mais aguardava com ansiedade nosso reencontro. Desligar o telefone  após falar com ele era sempre doloroso.
  Lembro-me da alegria dele quando lho enviei fotos do meu casamento, consigo imaginar as expressões dele ao contemplar sua filha vestida de noiva, uma vez que, a distância impediu que ele estivesse presente naquele grande dia da minha vida.
  Pouco tempo depois de eu estar residindo em Portugal, uma grave enfermidade acometeu minha saúde. Sinto que desde então meu pai nunca mais foi o mesmo e posso compreender perfeitamente a aflição dele, pois também tenho filho. Recordo que por duas ou três vezes um amigo meu juntamente com outros levaram até meu pai um notebook para podermos nos comunicar por webcam, a emoção tomou conta em todos estes momentos e por mais que ele tentasse disfarçar, a saudade lhe escorria dos olhos em forma de lágrimas.

  Meu maior desejo era um dia trazê-lo mesmo que fosse à passeio, até podia ver ele admirando e desfrutando do lugar onde escolhi viver.

3 comentários:

Maíra Rabassa disse...

Chorei....

Lígia Breyer disse...

São fatos reais que mexem com os sentimentos de quem os vive e de quem os toma conhecimento.

antonio carlos novelli disse...

Lindo e comovente, é a vida! Na maioria das vezes em que tomamos qualquer ação ou decisões, sempre achamos que foi de nossa iniciativa, mas não é verdade, somos levados, por um misterioso poder, que sempre sabe o que é o melhor para nós! As vezes, ele nos passa uma rasteira, para aprender-mos certas coisas, mas depois, ele endireita e acerta tudo!

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