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Parte IV- Despedida inconsciente... quinta-feira, maio 31, 2012


    O "chão" do meu pai lhe tinha fugido dos pés, mais uma vez corajosamente ele seguiu sem segurança de um amanhã melhor. Enquanto meu padrinho sucumbia no leito de um hospital, meu pai seguia sozinho. A única pessoa que o ajudava de certa forma era um taxista com quem ele fez amizade, seu nome é Josepe e além de prestar serviços ao meu pai como motorista ele teve papel significativo nestes dias sombrios que meu pai passou.
   Meu pai estava cada vez mais fragilizado e seu corpo já não estava mais suportando tamanho desgaste. Foi internado a primeira vez e diagnosticado com enfisema pulmonar em estágio avançado, além de pneumonia. Mesmo assim teve que aguentar e permanecer nas proximidades do irmão que estava internado a fim de não ser acusado de abandono de incapaz.
  As dificuldades eram cada vez maiores, até que minha irmã Rheyka foi passar um tempo com ele para ajudá-lo. Uma vez recebida alta, quando ela foi acompanhar meu pai na saída do hospital deparou-se com Rui que a reconheceu e cumprimentou-a, porém a situação foi de tensão, ele ia visitar meu pai para torturá-lo psicologicamente, a presença dele era inconveniente e incômoda. Rheyka com seu pequeno filho nos braços procurou não dar muita conversa e sair de lá o quanto antes, pois o tom do meu tio era irônico e intimidador. No meio de tanta confusão houveram ameaças, perseguições... o medo passou a tomar conta da minha irmã que dividia um pequeno e abafado espaço com meu pai, um quarto alugado, local impróprio para uma criança e desconfortável para um idoso doente, mas era o que se podia ter acesso. Com a pressão de dadas circunstâncias minha irmã não suportou e por temer a integridade física principalmente do filho, teve que tomar a dura decisão de ir embora. Segundo relatos dela, meu pai ficou pesaroso e triste por esta decisão... a despedida deles foi seca e quando ela partiu sentiu que nunca mais o veria. O beijo na testa foi o adeus que se ela soubesse que realmente era um adeus teria sido diferente.
  Mais uma vez sozinho, o declínio dele era cada vez mais evidente.
  Uma ligação importante foi recebida pela minha mãe, o pedido de comparecimento urgente dela em Porto Alegre foi feito, novamente meu pai estava internado e o estado dele era grave. Quando deu entrada no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, ele já não andava há 12 dias, repentinamente perdeu os movimentos das pernas e durante dias viveu naquele quartinho infernal, se alimentando mal, fazendo suas necessidades fisiológicas nas calças... certa vez Josepe na sua prestatividade encontrou meu pai na cama todo sujo de fezes e com a ajuda de outra pessoa deu banho em meu pai.
  No decorrer de toda essa turbulência fiquei por dias sem contato com meu pai, quando conseguia falar com ele percebia que algo muito ruim estava acontecendo, mas ele sempre tentando me poupar de preocupações omitia detalhes. Por vezes ele mal conseguia falar, ou por rouquidão, dor ou emoção.

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