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Vida e Morte quarta-feira, abril 11, 2012

  Definitivamente não creio que quem morra vá direto para o céu ou inferno, antes creio que todos dormem e suas memórias jazem no esquecimento, como uma lâmpada que se apaga, assim é a morte. Como seria assim o céu um lugar feliz se aqueles que o merecessem tivessem que assistir lá de cima o sofrimento daqueles que ficam? Talvez seja mesmo linda a ideia de poder quem sabe falar com aqueles que se foram e somente eles ouvirem, talvez nos console a ideia de ter a proteção deles mesmo quando a morte interrompe nossa convivência, mas Não, não é compatível com o Deus misericordioso que conheço. Assim como o Deus que conheço não se agradaria nada do sofrimento permanente daqueles que provavelmente iriam para o inferno, sendo torturados eternamente. Dormem, e os herdeiros do Reino de Deus o desfrutarão, juntos, de uma só vez, das bençãos celestiais. E aqueles que praticaram a iniquidade serão lançados ao inferno (sepulcro) para serem destruídos vez por todas... somente assim a paz será inabalável e o Amor reinará.

Reflexão 02-03-2012 sexta-feira, março 02, 2012

  Tenho percebido por parte de muitas pessoas uma disposição e uma necessidade maior da presença de Deus. Pessoas querendo descobrir a Verdade, como se estivessem saindo de um deserto e a única água que lhes pode matar a sede é a Palavra do Senhor. Ao mesmo tempo em que movimentos ateístas se organizam para disseminar a inexistência de Deus... Mas daí pergunto a estes ateus: Se vocês realmente não acreditassem em Deus não o atacariam, ou são débeis mentais que lutam contra o que "não existe"?
  Ao mesmo tempo também, cristãos pelo mundo afora são perseguidos, torturados e mortos pela intolerância religiosa daqueles que dizem seguir Deus, mas será que é o Deus de amor que a Bíblia nos revela e que Ele mesmo prova Ser quando mesmo não merecendo recebemos tantas graças? De fato não.
  Olho para o céu e converso com Deus, me prostro no solo do meu lar em oração e recebo o conforto de que tudo irá ficar bem, independente do que aconteça. E por isto tudo que relato e outros acontecimentos que estão se cumprindo conforme as profecias é que vejo quão perto estamos da hora do advento. Que seja feita a Tua vontade Pai, que cada vez mais pessoas se aproximem de Ti, pois a hora da ceifa está prestes a acontecer e o joio não nascerá mais entre o trigo! Amém

O QUE SINTO NÃO TEM NOME sábado, setembro 03, 2011



  Entre diversas definições a mais comummente disseminada é a de dizer que a paixão é algo avassalador que nos faz querer ansiosamente a pessoa por quem nos apaixonamos, nos faz cegos e indiferentes aos seus defeitos, nos faz agir por impulso, deixa nossos pensamentos fixos naquele ser, com cara de bobos contamos as horas para estar junto daquela pessoa. Somente suas qualidades são visíveis.
  Definem o amor como um bem-querer incondicional, aonde tanto as qualidades quanto os defeitos são compreendidos e aceitos com igualdade. É um sacramento do coração, que diferente da paixão tem um pouco mais de racionalidade, medindo atitudes e o que antes era uma tormenta torna-se paz mesmo com os problemas decorrentes da convivência. Apesar de diferentes, em ambos sentimentos há semelhanças. O desejo carnal, o carinho, a abdicação e a perseverança.
  Sobre o primeiro dizem ser passageiro, e que o segundo vem com o tempo e é duradouro. Mas e quando você se apaixona já amando incondicionalmente? Qual o nome disto? E quando você pensa em alguém incessantemente que até em seus sonhos ele está presente, que para onde você olha o procura e encontra partes dele em quase tudo o que vê? Quando você conhece os defeitos dele, assim como as suas qualidades e assim mesmo ele continua sendo o motivo em que passas horas na madrugada revirando a cama com saudades de estar nos braços dele.
  Quando na sua insónia um papel e caneta te fazem companhia à espera de um desabafo do seu coração. Quando você peca por estar com ele e mesmo consciente de seu erro não espera a redenção porque somente agiu na propulsão de um sentimento legítimo que lhe toma o peito às vezes lhe faltando o ar, e que sinceramente repetiria tudo de novo porque não aprendeu esquecê-lo desde que ele surgiu em sua vida, nem a repreender seus sentimentos.
  Quando um furacão de emoções lhe transborda em forma de sorrisos, suspiros e lágrimas, sejam elas de alegria, tristeza ou saudades. Quando sua carne treme diante dele e sua pele se arrepia ao toque das mãos dele. Quando o gozo do sexo é tão profundo e intenso que te eleva ao clímax do prazer.
  Quando mesmo que não possam ser de fato um do outro, mesmo que a realidade acuse que ninguém pertence a ninguém, o momento em que se entregam parece tão sublime e eterno.
  Como definir tal sentimento? Levando em consideração tais argumentos só me resta dizer que há um terceiro sentimento que liga dois amantes e que soma tanto o que se descreve como paixão, quanto como amor. Um sentimento que sinto, mas que não tem nome!
                                         
                                            -Lígia Breyer-

O Caminho do Amor domingo, janeiro 30, 2011

  Há dias em que pareço indiferente a este sentimento...
  Há dias em que qualquer atitude brusca do ser ao qual o destino o transforma em uma redoma fantasiada de egoísmo,frieza e insensibilidade...Mas na menor demonstração de benevolência,de afago, se rompe como quando o cristal vai de encontro ao chão,revelando todo seu real conteúdo.E eis que o aroma dele,do Amor, volta a exalar...Despertando mais uma vez meu coração e convidando-o a usufruir desse sentimento nobre que transforma tudo o que vemos,colorindo,dando vivacidade no falar,no olhar,no movimentar.
   Acho que pela primeira vez na vida consigo perceber que amar não é viver um período de felicidade intocável,nem viver no comodismo de que nunca terá fim e portanto não é necessário se esforçar para que seja melhor do que aparentemente é...
   Amar requer sacrifícios, renúncias, dinamismo entre as partes, respeito, consideração...e é estar consciente de que a perfeição humana é uma utopia.
Consigo por fim perceber que amo verdadeiramente o homem com quem escolhi compartilhar o resto dos meus dias não ontem, nem anteontem, nem no dia do nosso casamento...mas toda vez em que meu coração teima em se retrair por culpa das adversidades que assolam os relacionamentos e ele tem essa capacidade de transformar tudo e me trazer de volta a mesma sensação de quando estive no carinho e no calor dos braços dele pela primeira vez.
   O amo verdadeiramente porque só ele me faz apaixonar-me várias vezes pelo mesmo homem.
                                                                                                   (Lígia Breyer)

OLHANDO PARA FORA quarta-feira, novembro 18, 2009

  Nossa vida não é feita somente daquilo que nós próprios vivemos,mas também daquilo que observamos na vida de outras pessoas que nos servem como exemplos e lições.
  Quando me vi internada no hospital me deparei com diversas situações que me fizeram constantemente refugiar em pensamentos, mesmo estando ali com um problema tão preocupante não pude deixar de sentir e até mesmo me envolver nos casos daqueles quem me foram apresentados, mesmo que tão brevemente continuam em minha mente... um verdadeiro observatório da vida daqueles que lutam por ela e que buscam se reerguer quando a moléstia estaciona ou anula os sonhos de alguns. Priva, confina e estabelece limites antes não tidos. Quando tudo acontece como num piscar de olhos e alguns vão do "céu" ao "inferno" em segundos... pude examinar a forma com que cada enfermo ali lida com esta situação tão delicada.
    A senhora nos seus recém atingidos 70 anos e o cada vez mais frequente e conhecido AVC até então lhe estagnara a "vegetar" dependendo de aparelhos para respirar e de fraldas para coletar seus dejetos. Sua mente débil já não responde às conversas de sua tão aflita filha que se distendia da Alemanha para cá a fim de acompanha-la. Ela só balbucia frases desconexas e geme à noite perturbando meu sono já tão "quebradiço" vítima daquele lugar estranho. Às vezes me via incomodada dando suspiros de insatisfação, mas ao mesmo tempo pensava na situação tão difícil na qual ela estava, sem culpa e a compaixão falava mais alto mesmo passando a noite quase toda em claro. Mais um exercício de paciência; sem contar no entra e sai de enfermeiras, no chamar insistente de um senhor no seu transtorno mental chamando pela mãe em plena madrugada. Sexto dia no hospital de Vila Real e a última imagem que tive dela foi quando a removeram para uma maca sendo transferida cujo destino desconheço. O sexto dia era datado 21 de Outubro, mesmo dia em que fiz a tão esperada ressonância magnética com resultado previsto para o dia seguinte.
   No mesmo dia em que ela desocupou a cama ao lado chegou uma outra senhora com uma aparência rural, não tomei conhecimento do problema dela, a única característica que marcou  foi o forte odor de suas axilas, fiquei só pensando o que ela passara para chegar ali em tais condições. Sua estadia como vizinha não chegou ao anoitecer e logo ela foi para outro quarto.
   Embora meu nariz tenha agradecido, outro teste de paciência iniciou-se... a noite adentrou e outra senhora idosa tomou lugar e com ela trouxe uma tortura aos meus ouvidos. Inquieta resmungava e gritava insistentemente chamando a enfermeira "Ô menina!"-gritava ela, "Caralhoo"-resmungava ela. Nem mesmo seus punhos amarrados ás grades laterais da cama a continham, chegou ao ponto de tombar-se ao chão, tendo eu que acionar o alarme,assim como por outras vezes durante a árdua noite. Nos seus 83 anos, via-se internada pela primeira vez na vida, recusando-se a urinar em fraldas e não podendo levantar-se... é de se entender em partes seu comportamento, digo em parte porque o excesso que ela exercia em seus xingamentos acho que não justificava o transtorno que causava não só a mim quanto à outra senhora também idosa; de aparência simpática e tímida que ocupava a terceira cama da enfermaria de neurologia; enfim, não refleti o bastante para quem sabe entender e chegar à uma conclusão.
    O crepúsculo terminou,dando espaço aos raios matinais daquela quinta-feira que já começara estressante por conta do sono mal dormido, em jejum desde o jantar da noite passada alguns exames ainda viriam e que foram cancelados quando por volta das 16 horas o Dr. Pedro Guimarães informou á mim e meu marido sobre minha transferência para o Hospital Geral Santo António em Porto. Assustada, meio que desorientada, sem tempo para despedidas, pois a ambulância já estava à espera seguimos para a fase seguinte.