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O Caminho do Amor domingo, janeiro 30, 2011

  Há dias em que pareço indiferente a este sentimento...
  Há dias em que qualquer atitude brusca do ser ao qual o destino o transforma em uma redoma fantasiada de egoísmo,frieza e insensibilidade...Mas na menor demonstração de benevolência,de afago, se rompe como quando o cristal vai de encontro ao chão,revelando todo seu real conteúdo.E eis que o aroma dele,do Amor, volta a exalar...Despertando mais uma vez meu coração e convidando-o a usufruir desse sentimento nobre que transforma tudo o que vemos,colorindo,dando vivacidade no falar,no olhar,no movimentar.
   Acho que pela primeira vez na vida consigo perceber que amar não é viver um período de felicidade intocável,nem viver no comodismo de que nunca terá fim e portanto não é necessário se esforçar para que seja melhor do que aparentemente é...
   Amar requer sacrifícios, renúncias, dinamismo entre as partes, respeito, consideração...e é estar consciente de que a perfeição humana é uma utopia.
Consigo por fim perceber que amo verdadeiramente o homem com quem escolhi compartilhar o resto dos meus dias não ontem, nem anteontem, nem no dia do nosso casamento...mas toda vez em que meu coração teima em se retrair por culpa das adversidades que assolam os relacionamentos e ele tem essa capacidade de transformar tudo e me trazer de volta a mesma sensação de quando estive no carinho e no calor dos braços dele pela primeira vez.
   O amo verdadeiramente porque só ele me faz apaixonar-me várias vezes pelo mesmo homem.
                                                                                                   (Lígia Breyer)

Nostomania Por Ti sexta-feira, outubro 16, 2009

Nostalgia
Daquilo que cativou-me
Um dia
E arrancou-me risos
Suspiros,gemidos
Gozos e euforia.

Como um vento forte
Emaranhas meus cabelos
Elevas meu corpo
Me fazendo levitar
Me envolves por completo
Trazendo-me todo o afago
Como se o mundo parasse
E eu não pudesse mais chorar.

Sonhos
Desejos
O que tanto minha matéria
Cansada
Fragilizada
Precisava
Mas de repente
Partes
Me soltas
Em queda livre sou lançada
Nua

A tua carícia que me refrescava a alma
Levou minhas vestes
E agora,tão prestes
Me abandonam à míngua
E teu sabor já não sinto
Mesmo que eu te toque com a língua.

(Lígia Breyer)

Quando o Coração fala a Mente Silencia sexta-feira, outubro 16, 2009

A fragilidade da carne,
O poder da mente,
Damos mais valor à saúde
Quando estamos doentes,
Eis que a enfermidade do espírito
Reflete no corpo,
De onde vêm,
Seu por quê,
Tão difícil entender.

Toda onipotência humana se dissolve perante
sua suscetividade à morte
E o estar ou não estar
Fica entregue à sua sorte.
Podemos simplesmente dormir
E não mais acordar
Sair
e não mais voltar,
Cair
e não mais levantar.

E do que vale tudo o que construímos
Tudo o que deixamos de fazer
Ou tudo o que fizemos?
A vida jaz na própria vida
Se não aproveitamos o que temos.

Exemplos e exemplos nos circundam
De pessoa que tudo tiveram e nada levaram
Daqueles que nada tiveram
Mas foram afortunados
Pelo simples fato de saberem viver
E vivem mesmo após a morte.

O medo, temor, receio, que cada um possa ter
Supera-se facilmente pela Fé
A confiança que parte do seu interior
percorre um vasto mar com grandes ondas
Tsunamis que teimam nos afogar
E embora teses, estudos diversos,
Probabilidades convincentes
Tentem nos ludibriar,
A determinada hora,
O escolhido momento
Nos leva, mesmo que à deriva
Para o Porto Seguro
Chamado Deus!

Nosso encontro está marcado
Desde o momento em que nascemos
Porque é irrefutável nossa origem
E embora se renegue
Nossa genética é Divina
Mesmo que o primata se assemelhe
Mesmo que a ciência refute
Mesmo que o big bang relute.

As diversas teorias
Nada mais são que um tentativa
Falha,
Promíscua,
De se esquivar da Verdade que nos origina.
Pra que fugir se é mais fácil se entregar?
Por que correr se é mais fácil caminhar docemente
Na segurança das mãos do Criador?

Olhe e se não tiver mais olhos
Ouça!
Se não tiver mais ouvidos
Toque!
Se não tiver mais mãos
Sinta!
Sinta nas profundezas do teu coração
E confie,mesmo se estiveres no escuro
Porque Deus é Luz
Mesmo que não O possamos ver
E Sabedoria quando já não podemos discernir.
Deus é Amor e um dia Ele há de a ti vir!

                                              Lígia Breyer

Imergindo em Mim sexta-feira, setembro 25, 2009

Só hoje não quero ao teu lado me deitar
Esta noite quero só para mim
Na minha solidão
Que mesmo te tendo tão perto não passa
Quero mergulhar no meu eu
Ultrapassar meu além
Girar a ampulheta 
E deixar a areia do tempo fluir.



Um dia eu prometi
Não mais fugir de mim
E não me deixar por mais ninguém
Essa promessa vou cumprir
Até ao fim.


Olho para ti e te vejo parado
Inerte no tempo
Olho para mim
E a rotação é constante
E meus passos são longos
Apressados
Isso significa amor que o espaço entre nós é cada vez maior

Esta cada vez mais difícil regressar
Por que não corres até mim?
Como era no dia que nossas órbitas se chocaram
Não importa onde, como
Tem que ser agora


Tudo o que me importa não é aquilo que temos
Mas o que acreditamos
Ultrapassando aquilo que podemos ver
Então eu ando
E arrasto meus sonhos pelas costas
E quando canso
Empurro-os para frente
E quando paro, repouso sobre eles


Jogue-se comigo
Aprenda a voar
Uma asa embora curta pode te sustentar
Mesmo que por poucos minutos
Se alimente dos pequenos grandes detalhes
E aprenderás toda a essência da vida
Então suas asas serão grandes
E todos os precipícios serão meramente
Uma pedrinha abaixo dos teus pés.


Não tente me prender
Nem ouse me algemar
Ou jamais desejarás de novo amar
Meu passado é preenchido
Meu presente descoberto
E meu futuro tudo aquilo que eu puder acreditar
Portanto acredite
Ainda é tempo
Antes que eu voe com o vento
E não possa mais voltar.



Ainda estou aqui
E não me importo com nada do que possa acontecer
Desde que estejas ao meu lado
O impacto da convivência
A lei da sobrevivência
O que está ganho não está garantido


Deixe-me só
Somente esta noite
Para eu saber onde estou
E a vida que eu tinha antes
Para eu confirmar quem sou
E o quanto mais eu posso ser
Me resgatar 
Sempre que minh'alma tentar de mim escapar.



                                                                        (Lígia Breyer)

Incontroláveis Desejos sábado, setembro 19, 2009

O inevitável acontece
As pernas estremecem
Coração palpita
Garganta ansiosa por um grito
Que liberte
um desabafo da alma
um sopro em devaneio
Um suspiro de alívio.

Se meus olhos pudessem os teus fitar
Se minha boca
Ressequida de tanto desejo
Pudesse em teus lábios se banhar
Essa secura
Que minha pele põe em rugas
E uma palidez
Como se sangue não tivesse...
Talvez.

Sangue,
Púrpura magia,
Dá-me vida,
Calor,
Dia e noite,noite e dia.
E nas veias um ardor,
Para ti uma manifestação
Das sensações que me causas
Simplesmente por tuas palavras.
Insônia, inquietude...
Náuseas.

Longos são os dias
Incontáveis são as horas
O relógio marca séculos
Esquece-se de andar
E um amanhã de incerto encontro
Me desatina a certo ponto
Mas só me resta esperar
P'ra em teu misterioso abraço me atirar.

Por que a vida prega peças?
Por que o amor emergente demora quando se tem pressa?
Sede,
Fome,
De vida,
De emoção,
Quanto mais temos certeza
Mais entramos em contradição
Ah, pobre coração
Entrou no olho do furacão.

Agora o que me resta?
Diante das muralhas da prisão
Achastes uma fresta
E entrastes como água do mar em rocha
Inundando-me
Invadindo-me
Lavando-me
Curando minha cegueira e minha cólera.

AH! Sagaz solidão,
Megera,
No teu matrimônio
Jamais imaginastes tal armadilha
Será insensata quimera?
Como presa caístes
E o lobo prestes está
A consumir-te 
Mas ele olha-te nos olhos
E sua imagem se reflete
Como num espelho de pupilas dilatadas
Enxergando seu eu
E todo o amor que a si remete.

Sente-se então como sob a sombra de uma figueira
Admirando a aurora
De um dia de verão
Aonde os raios se transpassam entre as folhas
E o frescor dos ventos suaves
Não refrescam o calor de outrora
Calor de vida própria
Ei, por favor,
Não se demora
Meus desejos são p'ra já,
Agora!


                               (Lígia Breyer)

Despedida sábado, setembro 19, 2009

Sei que ainda estás a voar,
Meu anjo voa nas asas de um pássaro,
Pássaro de aço,
Bendito,
Maldito,que te trás e que te leva
Levou
Levou a terça parte do meu coração
E agora sinto-me perdida,
Sem rumo,
Sem direcção.


Anjo,
Use as tuas asas
Voe denovo em direcção ao meu peito
Arranque-me essa dor,
Esse misto de prazer e agonia
Que me faz rir chorando,
Ou me faz chorar sorrindo?


Estou com frio,
Me falta o calor dos teus braços
Estou com calor,
Me arde no peito o fogo dessa paixão,
Paixão?
Essa paixão já é Amor.


Dor
Sofrimento
Saudade
Alegria
Lembranças...
Ahhh!...doces lembranças
Toda vez que meus lábios cerram-se,
Automaticamente,meu lábios,sorriem.


Ainda posso te sentir
Teu cheiro,
Tua energia,
O sabor da tua carne labial
Isso nunca terá fim.


Marcou minha vida,
Fez sentir-me mulher de verdade
Me trouxe encanto,ternura,paz,sinceridade...
E o medo não mais permanece em minha vida
Dissipou-se como nuvens ao passares,
Nuvens que encobriam um arco-íris,
Cheio de cor,
Fantasia,
E que não finda.


                                          ( Lígia Breyer)

Presente de um Poeta sexta-feira, setembro 18, 2009

Mil luzes ardem no seu cabelo
Explodindo no mais belo riso
Olhas para ela e lembras-te do mais belo dia de verão
Em que o Sol passeia pelos teus dedos
Perdidos em tamanha perdição


Ela faz-me voar alto com a sua voz
Mais alto que tudo num doce banho quente
Em que respiro debaixo de água como os peixes
E adormeço mergulhado em mil deleites


Olhos feitos de mar,...felino
Trazem vagas,ondas,espuma de paz
Num nunca acabar,...lindo
Fazem-me esquecer todas as coisas más


Quando fazes beicinho do teu jeito especial
Com teus lábios misterioso sinal
Fazes-me acreditar que nada pode correr errado
Secas no meu rosto as lágrimas e seu sal
Tornas doce o meu mar salgado


A tua elegância,o teu andar
Flutuante,de mulher leopardo
Acorda os poetas da cidade
Os grafites devolvem a luz ás paredes,escondendo a sua vaidade
A cidade fica com teu perfume tatuado.

                                                               (Paulo Matos)