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Falar de si,daquilo que nos transborda no íntimo e nos aflinge a alma é complicado. Uma vida pode ser retratada de várias formas ou simplesmente encoberta. Mas as memórias permanecem e tudo o que fizemos, passamos, sentimos nos acompanha até o último fôlego de vida nos ser tirado e não jazem no esquecimento, porque Deus faz questão de lembrar de cada capítulo e aqueles que atuamos com outros personagens da nossa história continuam vivos neles.
Erros, acertos, vitórias, derrotas, tristezas, alegrias... Os opostos que escrevem nossa história, as lições de vida que extraímos deles.A fantástica jornada chamada VIDA. Tanto aprendemos com nossas experiências, quanto com as de outras pessoas, foi pensando nisso que resolvi compartilhar aqui as minhas... criando um espaço para rir, chorar, surpreender, refletir, sonhar, viajar. Embarque comigo! Seja bem vindo! My Blog List
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| ''The tracks of my tears'' | segunda-feira, fevereiro 24, 2014 |
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Hoje acordei assim, observando minha face frente ao espelho e as gotas de tristeza e saudades que entornavam dos meus olhos deixando rastros sobre a minha pele. Se elas pudessem entranhar-se no meu rosto transformando-se em rugas seria como ter 100 anos em 28. Estou me libertando, lavando as impurezas do meu coração, deixando transbordar tudo o que me deprime, me sufoca para nunca mais voltar... e não será por muito tempo, o meu sorriso sempre vence o meu pesar.
Lígia Breyer
| Todas as Nossas Paixões se Justificam a Si Próprias | domingo, julho 08, 2012 |
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Existem duas ocasiões distintas em que examinamos a nossa própria conduta e buscamos vê-la sob a luz em que o espectador imparcial a veria: primeiro, quando estamos prestes a agir; e, segundo, depois que agimos. Em ambos os casos os nossos juízos tendem a ser bastante parciais, mas eles tendem a tornar-se ainda mais parciais quando seria da maior importância que não fossem. Quando estamos prestes a agir, a veemência da paixão raramente nos permitirá considerá-la com a isenção de uma pessoa neutra. As violentas emoções que nesse momento nos agitam distorcem os nossos juízos sobre as coisas, mesmo quando buscamos colocar-nos na situação de outra pessoa.
Por essa razão, como diz Malebranche, todas as nossas paixões se justificam a si próprias, e parecem razoáveis e proporcionais aos seus objectos enquanto nós estivermos a senti-las. A opinião que cultivamos do nosso próprio carácter depende inteiramente dos nossos juízos acerca da nossa conduta passada. Mas é tão desagradável pensarmos mal de nós mesmos que amiúde afastamos propositadamente o nosso olhar das circunstâncias que poderiam tornar o julgamento desfavorável.
Esse auto-engano, essa fraqueza fatal dos homens, é a fonte de metade das desordens da vida humana. Se pudéssemos ver-nos como os outros nos vêem, ou como veriam se estivessem a par de tudo, uma reforma geral seria inevitável. Seria impossível, de outro modo, suportar a visão.
Adam Smith, in 'A Teoria dos Sentimentos Morais'
| sexta-feira, junho 15, 2012 | |
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Frases
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Nunca posso dizer: "Eu sou a única pessoa em quem posso confiar". Pois sou sempre a maior vilã de mim mesma. Tudo quanto erro, quanto me iludo, quanto sofro, quanto me engano, quanto faço... são culpas de mim mesma que não sou covarde o suficiente em não reconhecer. Estou sempre lutando contra mim a favor de mim.
| Parte IV- Despedida inconsciente... | quinta-feira, maio 31, 2012 |
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Um pai chamado Francisco
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O "chão" do meu pai lhe tinha fugido dos pés, mais uma vez corajosamente ele seguiu sem segurança de um amanhã melhor. Enquanto meu padrinho sucumbia no leito de um hospital, meu pai seguia sozinho. A única pessoa que o ajudava de certa forma era um taxista com quem ele fez amizade, seu nome é Josepe e além de prestar serviços ao meu pai como motorista ele teve papel significativo nestes dias sombrios que meu pai passou.
Meu pai estava cada vez mais fragilizado e seu corpo já não estava mais suportando tamanho desgaste. Foi internado a primeira vez e diagnosticado com enfisema pulmonar em estágio avançado, além de pneumonia. Mesmo assim teve que aguentar e permanecer nas proximidades do irmão que estava internado a fim de não ser acusado de abandono de incapaz.
As dificuldades eram cada vez maiores, até que minha irmã Rheyka foi passar um tempo com ele para ajudá-lo. Uma vez recebida alta, quando ela foi acompanhar meu pai na saída do hospital deparou-se com Rui que a reconheceu e cumprimentou-a, porém a situação foi de tensão, ele ia visitar meu pai para torturá-lo psicologicamente, a presença dele era inconveniente e incômoda. Rheyka com seu pequeno filho nos braços procurou não dar muita conversa e sair de lá o quanto antes, pois o tom do meu tio era irônico e intimidador. No meio de tanta confusão houveram ameaças, perseguições... o medo passou a tomar conta da minha irmã que dividia um pequeno e abafado espaço com meu pai, um quarto alugado, local impróprio para uma criança e desconfortável para um idoso doente, mas era o que se podia ter acesso. Com a pressão de dadas circunstâncias minha irmã não suportou e por temer a integridade física principalmente do filho, teve que tomar a dura decisão de ir embora. Segundo relatos dela, meu pai ficou pesaroso e triste por esta decisão... a despedida deles foi seca e quando ela partiu sentiu que nunca mais o veria. O beijo na testa foi o adeus que se ela soubesse que realmente era um adeus teria sido diferente.
Mais uma vez sozinho, o declínio dele era cada vez mais evidente.
Uma ligação importante foi recebida pela minha mãe, o pedido de comparecimento urgente dela em Porto Alegre foi feito, novamente meu pai estava internado e o estado dele era grave. Quando deu entrada no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, ele já não andava há 12 dias, repentinamente perdeu os movimentos das pernas e durante dias viveu naquele quartinho infernal, se alimentando mal, fazendo suas necessidades fisiológicas nas calças... certa vez Josepe na sua prestatividade encontrou meu pai na cama todo sujo de fezes e com a ajuda de outra pessoa deu banho em meu pai.
No decorrer de toda essa turbulência fiquei por dias sem contato com meu pai, quando conseguia falar com ele percebia que algo muito ruim estava acontecendo, mas ele sempre tentando me poupar de preocupações omitia detalhes. Por vezes ele mal conseguia falar, ou por rouquidão, dor ou emoção.
| Parte III- Do "Oiapoque" ao "Chuí " | quinta-feira, maio 31, 2012 |
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Um pai chamado Francisco
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Depois de longos anos morando em Belém do Pará. Após muita história construída, lutas, vitórias, derrotas, tristezas, felicidades... enfim, tudo quanto se pode construir no decorrer de uma vida, eis que meu pai retornou à sua terra natal, atravessou o Brasil do norte ao sul na esperança de dias melhores, com espírito de caridade, atendendo às necessidades de amparo dos seus dois únicos irmãos vivos. Um deles era também meu padrinho de batismo e ele desde nascença possuía limitações físicas, era cego e se locomovia com dificuldades, porém um homem de coração grandioso, temente à Deus e de uma inteligência surpreendente, chamava-se Urbano e era irmão gêmeo do meu outro tio que ainda é vivo, Rui (nome fictício).
Ao chegar no Rio Grande do Sul, mais precisamente em Porto Alegre, ele se deparou com grandes conflitos e confusões entre a família. Um verdadeiro jogo de estratégias, manipulação e interesses onde a maior parte dos envolvidos visava unicamente o poder aquisitivo. Terceiros com práticas de caráter duvidoso penetraram no seio da nossa família causando um verdadeiro desastre e desunião entre aqueles que mais minha avó paterna tanto incentivou a serem unidos e amigos: os irmão. Infelizmente as pessoas, por mais bondosas que sejam, têm um lado ruim e quando é justamente este lado que se é alimentado não se pode esperar resultado contrário à catástrofe. O tempo guarda em si muitos segredos, mas ele próprio os revela hora ou outra... assim sendo, foi o que aconteceu.
Sem adentrar muitos nos detalhes da situação, até porque ela ainda é vigente, posso prosseguir dizendo que Deus se mostrou misericordioso e embora as injustiças do mundo por vezes sejam irreversíveis aqui, a justiça Daquele que é soberano sobre o amor, a benignidade e a retidão jamais falhará. Embora não compreendamos de imediato ou façamos mal pensamento acerca da maneira como Deus permite que certas coisas aconteçam, tais ocorrências podem ser perfeitamente esclarecidas e percebidas se tivermos espírito de humildade e discernimento acerca da Palavra de Deus.
Antes de mudar-se para Porto Alegre, meu pai já andava com uma série de problemas de saúde que comprometeram totalmente a qualidade de vida dele. Ainda em Belém ele sentia fortes dores nas articulações e foi diagnosticado superficialmente como portador de reumatismo... morava sozinho e às vezes simples tarefas lhe eram grandes desafios. Mesmo com todas suas limitações não hesitou em dar o salto do norte ao sul do país, deixando para trás tudo o que tinha, levando consigo apenas poucos pertences pessoais.
Porto Alegre lhe trouxe alegrias logo à chegada, minha irmã Talita o acompanhou nesta viagem e passou cerca de um mês lá com ele. A princípio ficaram hospedados na casa da sobrinha dele Elisa (nome fictício), sobrinha esta que nos tinha alertado sobre os problemas surgidos com os irmãos dele, incentivando então a mudança de residência do meu pai a fim de zelar pela integridade e conforto dos meus tios, uma vez que, o irmão gêmeo considerado sadio, tinha sido diagnosticado com mal de Alzheimer, este tal que possuía a tutela do meu tio excepcional. A ida do meu pai era uma ameaça real à tutela exercida pelo meu tio Rui e consequentemente a administração dos bens e pensão de valor alto recebida pelo meu padrinho mudariam para as mãos do meu pai. Esta questão causou ira por parte do tio Rui e seus aliados. Por uma questão de segurança meu pai e minha irmã se mantiveram "escondidos" dos outros familiares sob amparo da sobrinha do meu pai. A princípio houveram dias felizes, meu pai demonstrava contentamento por estar sendo bem tratado e por estar no lugar onde ele teve suas origens. Para mim era muito bom participar, mesmo que de tão longe, da felicidade dele e embora eu soubesse que as coisas por lá uma hora iriam fervilhar, a esperança da resolução dos problemas e dias melhores para todos pairava sobre meu coração.
Os dias foram passando e minha irmã teve que retornar à Belém para cuidar da filhinha dela, mal sabia ela que aquele abraço do meu pai com olhos marejados seria o último de sua vida. Eu, mesmo morando em Portugal me preocupava constantemente com o decorrer de toda esta história, pois aos poucos as "máscaras" de muitos foram caindo e a situação tornou-se cada vez mais perigosa para a integridade física do meu pai.
Alguns dias após o retorno da Talita para o norte, com o aproximar das festividades natalinas, Elisa noticiou meu pai de que meu tio Rui o tinha convidado para lá passar o Natal e viver na companhia deles. Meu pai mal pôde acreditar e ficou muito satisfeito com o convite, assim o aceitando. Infelizmente não era verdade, ao chegar em Canoas, na casa deixada pelos meus avós, meu pai se deparou com a raiva do seu irmão Rui que brigou e humilhou meu pai até persuadi-lo a se retirar. Rui chegou inclusive a ameaça-lo de morte enquanto estivesse dormindo e o proibiu sequer de retirar água da geladeira para beber. Vendo-se diante da impropriedade de lá continuar, foi embora deixando ainda para trás alguns pertences, levando consigo os bens de uso pessoal e um mísero dinheiro dado por Rui para ele ir embora.
Elisa que se propôs a assumir responsabilidade de zelo e amparo ao meu pai armou-lhe tal cilada, de modo a forçá-lo sair da casa dela. Meu pai quando quis retornar após ter sido expulso da casa dos irmãos encontrou as portas fechadas. Então escondeu-se em uma pensãozinha barata, desiludido com o irmão que o expulsara, profundamente magoado, pois jamais pensou passar por tamanha decepção. Eles que sempre foram tão amigos, agora meu tio fazer isto com o próprio irmão às custas de dinheiro, para garantir ao companheiro homossexual o sustento de luxos, tirando daqueles que mais precisam e pior, roubando do irmão gêmeo que não sabia se defender. Qualificar tais atitudes ainda me causam asco.
Sempre que possível eu falava com meu pai por telefone e a princípio ele nem à mim revelou onde estava de fato, me deixando muito preocupada. Mesmo doente e emocionalmente abalado meu pai não se deu por vencido e ainda assim conseguiu na justiça o direito sobre a tutela do meu padrinho Urbano. Feito isto tratou de ir buscá-lo e levou-o com a governanta para a casa de praia em Cidreira, local este que era o recanto preferido do meu padrinho. As coisas a partir dalí melhoraram e as vezes que eu falava com meu pai ele estava sempre bem disposto e esperançoso de que nosso reencontro.
Ainda sem saber ao certo o quão debilitado meu pai estava, eu prometi à ele que o iria ver em março de 2012, eu estaria presente no dia do seu aniversário dia 21 de março. Mas as circunstâncias mudaram, meu padrinho que também estava com a saúde em estado muito delicado, acabou por passar mal a dormir e isto fez com que o socorro dele não fosse imediato. Quando a governanta percebeu o que estava acontecendo com Urbano, era demasiado tarde para reverter o caso, ainda em vida , porém em coma, ele foi socorrido e internado. Meu pai não conseguia acreditar naquilo, talvez estivesse em estado de choque, negando a realidade cruel da situação. Se não bastasse tudo, ainda quiseram acusar meu pai de omissão de socorro, sendo que nem ele próprio sabia do grau de comprometimento da saúde do irmão. Perante este pesadelo, mais pessoas revelaram ser quem realmente são. Mais sobrinhos do meu pai o acusaram de assassino, como se ele fosse o causador de tal fatalidade. Diante de momentos tão difíceis tivemos que suportar desaforos e julgamentos injustos por parte daqueles que inicialmente pensamos ter boas intenções e caráter.
| Parte II - O perfil de um pai | quinta-feira, maio 31, 2012 |
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Um pai chamado Francisco
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Ao longo de seus 67 anos, meu pai teve a vida marcada por muitos erros e acertos, os quais se é impossível, na qualidade de humana, medir num parâmetro geral, qual dos dois superou o outro. Todavia, posso afirmar que o maior erro que ele cometeu e que qualquer um pode cometer na vida, é seguir seus caminhos sem estabelecer uma aliança com Deus. Meu pai era um intelectual, buscou a fundo conhecimentos humanos, mas esqueceu-se do conhecimento divino. Conformou-se em seguir tradições e nem mesmo à elas deu muito apreço. Inevitavelmente, quando rejeitamos a presença de Deus em todos os momentos de nossas vidas, acabamos nos expondo às ações adversas ao bem que só Deus nos oferece.
Desde mui jovem meu pai teve responsabilidades e foi educado de forma rígida, assim como seus outros 5 irmãos. Alguns de seus irmãos se foram ao sono eterno prematuramente, um deles em um acidente automobilístico e outros dois por motivos de doenças. Restaram até então os gêmeos e meu pai que era o caçula.
O menino natural de Taquara, interior do Rio Grande do Sul, cresceu e formou-se biólogo. Teve uma carreira linda, atuou como professor, como pesquisador. Elaborou grandes projetos como o 'Projeto Jacaré' no Pantanal. Antes de atuar na área dele, trabalhou inclusive no Tribunal da Infância e Juventude, creio que esta experiência teve influência sobre o modo como ele lidou com as 3 filhas, tanto que quando se separou da minha mãe ele fez questão de ficarmos com ela, pois para ele não havia coisa mais triste do que separar a mãe de uma criança.
Como ninguém é isento de defeitos, meu pai possuía problemas que influenciavam não somente a vida dele, como a de todos que o rodeavam, de forma negativa. Há um grande mal que acomete muitos lares, tornando o convívio familiar doloroso: o alcoolismo. Meu pai desde jovem viciou-se em álcool e o tabagismo era marca constante no dia-dia dele... O problema maior do alcoolismo é a reação que cada um expressa através do mesmo, no caso do meu pai, era a violência. Violência esta direcionada à minha mãe que suportou durante 16 anos momentos de verdadeira tensão e sofrimento, quando sob efeito da bebida ele a agredia física, verbal e psicologicamente. Desde de que nascemos fomos expostas a presenciar tais cenas e por vezes eram situações de extremo terror para nós assistir à tudo aquilo. Ele não era de chegar a espancar minha mãe causando maiores danos, mas as marcas de tudo o que se passava entre eles também ficavam em nós.
Consequentemente nosso comportamento também era afetado, mas ele como pai, a relação dele diretamente conosco era muito boa. Meu pai sempre procurava nos agradar, defender... ele vivia por nós, embora o vício por vezes teimasse em nos roubar este pai de amor. Ele não era violento com as menininhas dele.
São tantas as lembranças das brincadeiras e dos momentos felizes que ele nos proporcionava. Sempre nos ensinou a sermos amigas, unidas... Era o tipo de pai que construía com as próprias mãos brinquedos e engenhocas para nos divertir. Nas festividades nos enchia com farturas... nossa alegria era a dele. Nos cercou daquilo que ele próprio gostava: a natureza e os animais. Nos permitiu sermos crianças e até na hora de nos castigar ele era compassivo... Quando precisava usar a "vara" da disciplina, eram puxões de orelha, palmadas nas nádegas... quando nos punha de castigo, passados alguns minutos ele nos ia retirar do castigo.
"-Vou contar até três... 1,2..." ( Mal se aproximava o três e já corríamos de medo, rs)
Engravidei aos 19 anos, e embora envergonhada não tive receio algum de contar ao meu pai, ele por nenhum momento me repreendeu ou me julgou, antes entendeu-me os braços e secou minhas lágrimas diante do meu medo de ser mãe tão jovem. Ele não era hipócrita, ele sabia que me repreender quando tudo já estava feito era gastar palavras e desperdiçar sentimentos. Se ocupar com a decepção ou com a raiva num momento desses é adiar o amor que fatidicamente viria cedo ou tarde... afinal, era uma vida que viria e uma criança jamais deve ser recebida com tristeza.
Todas as vezes que eu fiquei triste, pude sentar ao lado dele e conversar, expôr minhas aflições e sempre ele me ensinou a ter calma diante de qualquer situação, que o desespero nunca resolve nada... Este ensinamento trouxe grandes resultados benéficos à minha vida, pois de fato nos momentos onde mais precisei ter esse equilíbrio para seguir e modificar em algo bom seja, qual fosse o problema, eu consegui.
É impossível eu não olhar para trás e não reconhecer tudo de bom que meu pai tinha, mesmo com as lutas dele pessoais, mesmo com o gênio forte dele e com as manias. Ele nos repassou bons valores e quanto aos maus, cabe à cada uma saber discernir e transformar em positividade. Eu posso afirmar e não é hipocrisia, pois definitivamente não creio que só porque uma pessoa morra ela deixe de ter defeitos, mas eu quanto filha sou orgulhosa do pai que tive e preferia ter 1000 como ele do que não tê-lo.
| Parte I- Quando um oceano rompe o convívio... | quinta-feira, maio 31, 2012 |
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Um pai chamado Francisco
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Ainda lembro do abraço de despedida, da imagem dele com os olhos vermelhos querendo chorar no portão da casa dele. Eu e meu filho dentro do carro partindo rumo ao nosso destino e lá naquela velha ilha, uma parte enorme da minha vida, um pedaço precioso do meu coração estava ficando. Meu pai nunca me impediu de seguir meus caminhos e nunca se opôs de forma rígida contra minhas escolhas. Ele sempre foi meu amigo, o melhor até então que Deus poderia me dar. Sempre procurou me compreender e me fazer ver que independente de qualquer coisa, ele sempre estaria comigo, em qualquer momento. Sempre me instruiu e deixou-me livre para escrever minha história, vibrando quando eu acertava, me amparando e me fortalecendo quando eu fracassava. Foi um pai amoroso e protetor, o melhor que eu podia ter, pois até com os defeitos dele eu pude aprender.
Um tempo, outro tempo e mais um tempo se passaram, nem sei dizer se tudo passou rápido que nem me dei conta ou se foram poucos diante da sensação de séculos que a saudade acarreta. A vida aqui em terras lusas passava e ela só passava, acontecimentos burlaram meus planos e o reencontro que eu julgava ser breve antes de sair do Brasil tardava acontecer. Creio que mais que eu, que estava compenetrada em meus problemas, meu pai era a pessoas que mais aguardava com ansiedade nosso reencontro. Desligar o telefone após falar com ele era sempre doloroso.
Lembro-me da alegria dele quando lho enviei fotos do meu casamento, consigo imaginar as expressões dele ao contemplar sua filha vestida de noiva, uma vez que, a distância impediu que ele estivesse presente naquele grande dia da minha vida.
Pouco tempo depois de eu estar residindo em Portugal, uma grave enfermidade acometeu minha saúde. Sinto que desde então meu pai nunca mais foi o mesmo e posso compreender perfeitamente a aflição dele, pois também tenho filho. Recordo que por duas ou três vezes um amigo meu juntamente com outros levaram até meu pai um notebook para podermos nos comunicar por webcam, a emoção tomou conta em todos estes momentos e por mais que ele tentasse disfarçar, a saudade lhe escorria dos olhos em forma de lágrimas.
| Amor e Ódio | segunda-feira, maio 21, 2012 |
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Textos
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Meu amor, por um instante, contaminou-se com a ira.
Como pode ser, sentimentos tão opostos misturarem-se causando tanta avaria ?
Como se o amor fosse a água e a ira fosse azeite, que dentro de um recipiente, tivessem sido chacoalhados e o azeite tentado por instantes encobrir a transparência e pureza da água. Então o tremor da fúria que insistentemente chacoalhara o recipiente acaba, e lentamente as moléculas da água e do azeite se divorciam, evidenciando um e outro e o ponto exato onde se divergem. Claramente vê-se que a água supera em dobro a quantidade de azeite.
Observando o recipiente percebe-se que o azeite sobrepõe a água criando uma barreira onde é inevitável tocar a água sem por ele passar. Para tocar a água é preciso preencher o recipiente, retirando o azeite, sem deixar o recipiente incompleto... Então surge-me um punhado de terra, mais denso que eles e em quantidade maior que o azeite... Lanço a terra dentro do recipiente e rapidamente ela traspassa o azeite, penetrando na água, estirando-se no fundo e fazendo transbordar o azeite, deitando-o todo fora e transbordando inevitavelmente um pouco da água.
Somente algo sólido e denso o bastante é capaz de transpor barreiras, eliminar aquilo que nos polui e não somente nos completar, bem como nos fazer transbordar de amor. Tal matéria operadora de transformações provém de uma força superior, criadora e poderosa. Somente quando permitimos que Deus trabalhe em nosso ser é que conseguimos nos preencher com sentimentos benevolentes e repousarmos em bases sólidas.
Se a sua água for menos do que o azeite, use mais terra e resultará de forma magnífica.
| Vida e Morte | quarta-feira, abril 11, 2012 |
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Definitivamente não creio que quem morra vá direto para o céu ou inferno, antes creio que todos dormem e suas memórias jazem no esquecimento, como uma lâmpada que se apaga, assim é a morte. Como seria assim o céu um lugar feliz se aqueles que o merecessem tivessem que assistir lá de cima o sofrimento daqueles que ficam? Talvez seja mesmo linda a ideia de poder quem sabe falar com aqueles que se foram e somente eles ouvirem, talvez nos console a ideia de ter a proteção deles mesmo quando a morte interrompe nossa convivência, mas Não, não é compatível com o Deus misericordioso que conheço. Assim como o Deus que conheço não se agradaria nada do sofrimento permanente daqueles que provavelmente iriam para o inferno, sendo torturados eternamente. Dormem, e os herdeiros do Reino de Deus o desfrutarão, juntos, de uma só vez, das bençãos celestiais. E aqueles que praticaram a iniquidade serão lançados ao inferno (sepulcro) para serem destruídos vez por todas... somente assim a paz será inabalável e o Amor reinará.
| Reflexão 02-03-2012 | sexta-feira, março 02, 2012 |
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Ao mesmo tempo também, cristãos pelo mundo afora são perseguidos, torturados e mortos pela intolerância religiosa daqueles que dizem seguir Deus, mas será que é o Deus de amor que a Bíblia nos revela e que Ele mesmo prova Ser quando mesmo não merecendo recebemos tantas graças? De fato não.
Olho para o céu e converso com Deus, me prostro no solo do meu lar em oração e recebo o conforto de que tudo irá ficar bem, independente do que aconteça. E por isto tudo que relato e outros acontecimentos que estão se cumprindo conforme as profecias é que vejo quão perto estamos da hora do advento. Que seja feita a Tua vontade Pai, que cada vez mais pessoas se aproximem de Ti, pois a hora da ceifa está prestes a acontecer e o joio não nascerá mais entre o trigo! Amém
| O QUE SINTO NÃO TEM NOME | sábado, setembro 03, 2011 |
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Textos
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| O Caminho do Amor | domingo, janeiro 30, 2011 |
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Há dias em que pareço indiferente a este sentimento...
Há dias em que qualquer atitude brusca do ser ao qual o destino o transforma em uma redoma fantasiada de egoísmo,frieza e insensibilidade...Mas na menor demonstração de benevolência,de afago, se rompe como quando o cristal vai de encontro ao chão,revelando todo seu real conteúdo.E eis que o aroma dele,do Amor, volta a exalar...Despertando mais uma vez meu coração e convidando-o a usufruir desse sentimento nobre que transforma tudo o que vemos,colorindo,dando vivacidade no falar,no olhar,no movimentar.
Acho que pela primeira vez na vida consigo perceber que amar não é viver um período de felicidade intocável,nem viver no comodismo de que nunca terá fim e portanto não é necessário se esforçar para que seja melhor do que aparentemente é...
Amar requer sacrifícios, renúncias, dinamismo entre as partes, respeito, consideração...e é estar consciente de que a perfeição humana é uma utopia.
Consigo por fim perceber que amo verdadeiramente o homem com quem escolhi compartilhar o resto dos meus dias não ontem, nem anteontem, nem no dia do nosso casamento...mas toda vez em que meu coração teima em se retrair por culpa das adversidades que assolam os relacionamentos e ele tem essa capacidade de transformar tudo e me trazer de volta a mesma sensação de quando estive no carinho e no calor dos braços dele pela primeira vez.
O amo verdadeiramente porque só ele me faz apaixonar-me várias vezes pelo mesmo homem.
(Lígia Breyer)
| OLHANDO PARA FORA | quarta-feira, novembro 18, 2009 |
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Autobiografia
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Nossa vida não é feita somente daquilo que nós próprios vivemos,mas também daquilo que observamos na vida de outras pessoas que nos servem como exemplos e lições.
Quando me vi internada no hospital me deparei com diversas situações que me fizeram constantemente refugiar em pensamentos, mesmo estando ali com um problema tão preocupante não pude deixar de sentir e até mesmo me envolver nos casos daqueles quem me foram apresentados, mesmo que tão brevemente continuam em minha mente... um verdadeiro observatório da vida daqueles que lutam por ela e que buscam se reerguer quando a moléstia estaciona ou anula os sonhos de alguns. Priva, confina e estabelece limites antes não tidos. Quando tudo acontece como num piscar de olhos e alguns vão do "céu" ao "inferno" em segundos... pude examinar a forma com que cada enfermo ali lida com esta situação tão delicada.
A senhora nos seus recém atingidos 70 anos e o cada vez mais frequente e conhecido AVC até então lhe estagnara a "vegetar" dependendo de aparelhos para respirar e de fraldas para coletar seus dejetos. Sua mente débil já não responde às conversas de sua tão aflita filha que se distendia da Alemanha para cá a fim de acompanha-la. Ela só balbucia frases desconexas e geme à noite perturbando meu sono já tão "quebradiço" vítima daquele lugar estranho. Às vezes me via incomodada dando suspiros de insatisfação, mas ao mesmo tempo pensava na situação tão difícil na qual ela estava, sem culpa e a compaixão falava mais alto mesmo passando a noite quase toda em claro. Mais um exercício de paciência; sem contar no entra e sai de enfermeiras, no chamar insistente de um senhor no seu transtorno mental chamando pela mãe em plena madrugada. Sexto dia no hospital de Vila Real e a última imagem que tive dela foi quando a removeram para uma maca sendo transferida cujo destino desconheço. O sexto dia era datado 21 de Outubro, mesmo dia em que fiz a tão esperada ressonância magnética com resultado previsto para o dia seguinte.
No mesmo dia em que ela desocupou a cama ao lado chegou uma outra senhora com uma aparência rural, não tomei conhecimento do problema dela, a única característica que marcou foi o forte odor de suas axilas, fiquei só pensando o que ela passara para chegar ali em tais condições. Sua estadia como vizinha não chegou ao anoitecer e logo ela foi para outro quarto.
Embora meu nariz tenha agradecido, outro teste de paciência iniciou-se... a noite adentrou e outra senhora idosa tomou lugar e com ela trouxe uma tortura aos meus ouvidos. Inquieta resmungava e gritava insistentemente chamando a enfermeira "Ô menina!"-gritava ela, "Caralhoo"-resmungava ela. Nem mesmo seus punhos amarrados ás grades laterais da cama a continham, chegou ao ponto de tombar-se ao chão, tendo eu que acionar o alarme,assim como por outras vezes durante a árdua noite. Nos seus 83 anos, via-se internada pela primeira vez na vida, recusando-se a urinar em fraldas e não podendo levantar-se... é de se entender em partes seu comportamento, digo em parte porque o excesso que ela exercia em seus xingamentos acho que não justificava o transtorno que causava não só a mim quanto à outra senhora também idosa; de aparência simpática e tímida que ocupava a terceira cama da enfermaria de neurologia; enfim, não refleti o bastante para quem sabe entender e chegar à uma conclusão.
O crepúsculo terminou,dando espaço aos raios matinais daquela quinta-feira que já começara estressante por conta do sono mal dormido, em jejum desde o jantar da noite passada alguns exames ainda viriam e que foram cancelados quando por volta das 16 horas o Dr. Pedro Guimarães informou á mim e meu marido sobre minha transferência para o Hospital Geral Santo António em Porto. Assustada, meio que desorientada, sem tempo para despedidas, pois a ambulância já estava à espera seguimos para a fase seguinte.
| A SUPERAÇÃO DO MEDO | quinta-feira, novembro 05, 2009 |
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Autobiografia
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Dia 29 de Outubro.Apenas 4 horas de sono cansado e ansioso anteciparam as horas da cirurgia de biopsia estereotáxica.Sete da manhã,logo pus-me a pé,a enfermeira já a me preparar... um banho desinfetante, roupas cirúrgicas... e eis quer surge meu marido e eu que pensei que não o veria antes de entrar no bloco cirúrgico,o tempo já não parecia existir para mim. O nervosismo contido por parte dele e eu com uma serenidade que nem parecia estar prestes a ter o cérebro invadido.
Ele me acompanhou enquanto minha cama, devidamente identificada com meu nome,ia corredor a fora e então o limite chegou, um beijo com a sensação de que tudo terminaria bem e por fim o início da experiência mais surreal da minha vida, aonde até então eu possa descrever.
Deitada, na minha visão vertical,faces surgiam a todo instante, minha vida entregue aos cuidados de pessoas até então estranhas. Eu só torcia a todo momento que cada um tivesse noção da importância dela,mas o cuidado, carinho e demonstração de profissionalismo logo me fizeram esse pensamento pairar e nada mais pensava, apenas via, sentia. Outra vez me vi na grande máquina cilíndrica, a Ressonância Magnética nessa altura foi muito importante para confirmação do local exato do tumor,com o chamado "contraste" para melhor definir as imagens senti um calor intenso percorrer meu corpo quase nu.
Num misto de minutos de sonolência e lucidez,como flashes recordo detalhes, como o positivismo do anestesista, um diferencial explícito dentre todos ali presente, o único que usava touca laranjada estampada com smiles, certamente apoio psicológico proposital.Entre as dores suportáveis das pequenas agulhas da anestesia local, direcionada aos nervos da minha cabeça, adormecendo-a rapidamente a pressão do equipamento sendo fixado em minha caixa craniana através de quatro pequenos parafusos,embora aparentemente medieval,uma técnica necessária pela precisão milimétrica.
Naquele momento eu só pensei em Deus e no propósito daquilo tudo e numa experiência quase que sobrenatural, enquanto eu sentia o pungir suave dos parafusos em minha testa me veio imagens de Cristo sendo coroado com espinhos e então aquela agonia que eu começara a sentir foi banida quando refleti que o meu sofrimento nada era diante do que Ele passou para nos dar Vida e eu estava ali para ser curada e não torturada até a morte como Ele foi.Lembrei da minha vida, dos meus pais, das minhas irmãs,do meu filho, amigos, marido,das minhas andanças, trajetórias, erros... o que minha mente podia buscar no meu "baú de recordações" e o que meu coração denunciava das coisas que fiz e que poderia fazer.
O anestesista e o neuropsicólogo conversavam comigo para julgar minha consciência enquanto o trabalho ia sendo feito em meu cérebro,o qual não posso descrever com exatidão, pois a única coisa que via era um tubo transparente com sangue, um grande plástico transparente ao redor da minha cabeça e um pouco do equipamento que a fixava.O remover de um pouco da minha vaidade, raspada pela lâmina,um pouco dos meus cabelos se foram para que em troca eu ganhasse um corte no meu couro cabeludo. O momento mais surpreendente foi ouvir o furar do meu crânio, um barulho estridente invadia meus ouvidos de dentro para fora,uma sensação incrível embora indolor. Apesar da aparente cena de terror tudo foi muito tranquilo, o carinho com o qual me trataram me deu mais confiança e coragem do que eu já tinha.Tudo estava sendo tão bem sucedido,meu estado psicológico e emocional estavam tão amenos que eu até sorri para foto e uma curta filmagem.
O tempo para mim correu indiferente,material extraído do tumor,a finalização e o fechamento da minha pele com espécie de agrafos disparados.Bendita evolução, que permitiu desenvolver os anestésicos,senão talvez eu precisasse de fortes doses de álcool para inebriar a dor.Uma dose de morfina me deixou com arritmia cardíaca...num espaço para recuperação ali sim senti a tortura do tempo que parecia não passar, o sôro parecia não terminar e para completar escapou-me da veia,nessa hora desejei que me tivessem anestesiado os braços também.Meu medo de agulhas era coisa da infância, mas esses dias de internação e incontáveis furadas me deixou traumatizada quanto a isto.Minha agonia durou alguns minutos enquanto o enfermeiro tentava encontrar uma veia,pareciam todas terem corrido e ele ainda mexia as agulhas dentro da minha carne,4 tentativas em vão e a quinta bem sucedida por parte de outra enfermeira.
Na sala de espera,meu marido informava minha família e amigos que também esperavam aflitos por notícias,que logo ficaram tranquilizados quando os médicos informaram tudo ter corrido bem.Agora só faltava me trazerem de la.
Um relógio na parede branca e minha bexiga parecia não suportar mais uma gota sequer,tornando os minutos mais aflitivos, tentando suportar me rendi à vergonha de ter que urinar deitada em uma aparadeira com auxílio de uma enfermeira,ao menos me aliviou a tensão da espera.Por volta das 15 horas,meu coração já em ritmo normal, devidamente hidratada me conduziram de volta à enfermaria de neurocirurgia.Em "minha" própria cama transitando nos vastos corredores daquela construção secular,a luz do sol da tarde,tão suave dos dias de outono me veio ao rosto trazendo a sensação de revitalização e enquanto minhas pupilas se contraiam adaptando-se à luz me deparei com o rosto risonho do meu marido, que tanto me esperava aflito, com um brilho em seus olhos verdes e uma expressão de alívio evidente.Foi tão bom esse nosso encontro, tão bom quanto ao dia em que nos conhecemos, tão bom quanto ao dia em que nos vimos vestidos de noivos para nossa união.Então eu contemplava o teto branco,rico em detalhes, como se no Céu eu estivesse e um sentimento de paz tão grande.
Ele ainda esteve mais um pouco de tempo comigo e seguiu para casa,uma vez que, eu estava me sentindo muito bem,se despediu docemente e foi dar assistência ao meu menino que já não o via desde o dia anterior.O restante das horas foram as mais desconfortáveis para mim desde que minha jornada hospitalar havia tido início.Fora a fome que me atravessava o estômago devido o jejum, ainda tinha a condição de permanecer deitada, meu travesseiro manchado de sangue, meus cabelos embaraçados, uma vontade voraz de tomar banho.Eu me sentia super bem, sem dores, mesmo assim tive que obedecer e então jantei deitada,ao menos o sono vinha,mas se não fosse o fato de eu estar produzindo tanta urina como nunca na vida minha madrugada não teria sido a apertar o alarme de assistência.
Por fim a manhã do dia 30 de Outubro chegou,e a Doutora Carla Silva,responsável pelo meu caso me deu a permissão para levantar-me, tomar banho e a melhor notícia de todas: minha alta médica.A euforia tomou conta de mim e logo liguei para meu marido contando.A papelada ainda estava sendo preparada,então podia percorrer os 120 km com calma para me buscar.
A água morna lavou minha alma, notar a pequena perda de cabelo mexeu com meu ego, mesmo sabendo ser um "mal" necessário. Arrumei minha mala calmamente, sequei os cabelos,maquiagem nos olhos, boca, tentando disfarçar a notável mudança que os dias de cama e fortes remédios me fizeram. Meu corpo antes já rijo e contornado pela minha dedicação nos últimos 5 meses agora não está mais o mesmo, minhas pernas que sempre foram grossas perderam a musculatura devido o repouso excessivo e até fracas estão. Achei que eu nem iria caber dentro da minha calça jeans pelo inchaço que o corticóide causa,mas pelo visto só inchou mesmo meu rosto. É incrível como minha vida mudou tanto em poucos dias, mas isto só me tem fortalecido e tenho certeza que logo passará.
Tudo pronto, papéis, prescrições, tudo entregue. Antes de eu ir fui me despedir da Gorete, a pessoa mais especial que conheci neste hospital e que falarei sobre ela à parte, pois ela é uma verdadeira lição para qualquer pessoa.
De mãos dadas com meu marido saímos dali, só pensava na hora de abraçar e beijar meu filho, ainda fomos comprar umas boinas para eu encobrir minha nova "calvície", o trânsito da cidade do Porto estava demasiadamente ruim, demoramos a chegar em casa. Minha emoção foi grande ao ver meu filho no portão, me esperando todo alegre,um abraço tão gostoso me fez desmanchar em lágrimas.Todos me receberam super bem, de novo em casa,ainda desnorteada, mas muito aliviada por estar de volta. Observei, senti, ouvi, vi, cada detalhe, que já fazia parte do meu dia-dia com um sabor diferente. A verdadeira riqueza está na simplicidade e a felicidade está dentro de cada um. Não importa a situação é possível se sentir bem e superar qualquer limite, por mais difícil que pareça ser. Diante de algo que muito considerariam uma grande tragédia consegui encontrar mais motivos para sorrir e embora o medo,a eminência da morte tenham me afligido por breves instantes procuro sempre enxergar o lado positivo,pois ele sempre existe.
Minha batalha contra o tumor ainda não teve fim,o quanto ainda durará não sei,mas se tem algo que tenho aprendido há longa data é ter paciência e perseverança. O ser humano por natureza tende a querer as coisas de imediato,mas se confiamos em Deus, Ele sabe o que é melhor e tem o tempo Dele. As pessoas também,dentre as reações, quando se vêem numa situação de desespero, tristeza, problemas, conflitos tendem ou a se revoltar contra Deus;ou são indiferentes o qual acabam muitas vezes se rendendo,desistindo; ou se agarram à Ele numa tentativa de resolver aquilo que até então lhe parece irresolúvel exigindo de Deus demonstração de Poder e se esquece de considerar a demonstração de Amor que Ele nos deu,através do sacrifício de Jesus "para que todo aquele que Nele crer não pereça,mas tenha a Vida Eterna". Mas temos que aprender a aceitar os fatos e entender que a natureza tem que seguir seu fluxo.Deus tudo pode, isso é inegável, mas tudo o que peço é que continue me dando forças para enfrentar todas as provações e que delas eu cresça e faça bom proveito das lições em minha vida.Que me torne cada vez uma pessoa melhor.
Enquanto isso minha vida segue e sou muito feliz por isso,administrando as mudanças, amando intensamente e discipulada pela evidências que me tem sido reveladas a todo instante. Adormecer no aconchego dos homens da minha vida foi uma recompensa valiosa depois dos meus dias de confinamento.
| AS HORAS QUE ANTECEDEM O PRIMEIRO GRANDE PASSO! | quarta-feira, outubro 28, 2009 |
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Realmente superar nossos limites emocionais, os controles nos nervos, sensações, diante de tantas surpresas, aonde as vezes têm-se sentimento de sentenças anunciadas. Eis-me aqui mais uma vez, anestesiada por mais um choque da realidade dos fatos , 28 de Outubro, praticamente treze dias nesta cama estranha, passando o tempo como posso, lutando a cada instante contra qualquer sentimento interior que me desanime a perseverar, orando constantemente no silêncio do meu coração, embora a angústia desses dias tão imprecisos, tortuosos me aflija por breves instantes, um acalento em minha alma vem toda vez, como uma voz me pedindo calma e confiança. Está sendo tão difícil traduzir isso neste exato momento, mas preciso escrever, quem sabe assim eu mesma entenda.
Minha noite foi longa, e o sono difícil retomar quando algo o interrompia, me pus a pé as 8 da manhã para mais uma insosa rotina hospitalar… banho rápido, o leite quente a aquecer meu estômago, pão, manteiga, queijo e mais uma entrevista para estudantes de medicina, assim o tempo fluiu mais rápido. Ainda pela manhã recebi as primeiras explicações sobre o procedimento da biopsia cerebral através da enfermeira chefe que estará no bloco cirúrgico, as palavras ecoavam em minha mente, e eu tentando assimilá-los o máximo possível enquanto novamente a sensação de inverno em minhas veias me tomasse. Aceitar a ideia de que quatro pequenos parafusos fixarão meu crânio enquanto através de um pequeno corte introduzirão uma agulha para extração de material do tumor é definitivamente amargo.
O almoço desceu-me insípido ao paladar,ainda desci até ao café do hospital para comprar um sumo, vendo pessoas, mas meu pensamento fixo em toda a proporção que isso tem tomado desde caí sem consciência em casa, o despertar para uma espécie de sonho-pesadelo, aonde fechar e abrir os olhos é definitivamente igual. Minha face visivelmente preocupada ainda conseguia esboçar alguns sorrisos, tentando disfarçar, talvez. As grandes interrogações disso tudo que torturam a mente, o amanhã que habitualmente dizemos que à Deus pertence me faz tropeçar ligeiramente, mas logo após sinto novamente a luz da esperança resplandecer em mim, confiando mais uma vez e buscando reerguer. Tive que de certa forma compartilhar isso com minhas irmãs e logo em seguida contei ao meu marido por telefone,deixando alguns esclarecimentos para pessoalmente. Não tardou e já estava aqui meu amado, lindo para mim,braços abertos e repletos de saudades me dando uma morfina na minha dor, num abraço apertado o pulsar de nossos corações e em seus olhos verdes a preocupação disfarçada com o ar de que " estou aqui contigo por que der e vier". Fiquei muito confortável com ele aqui comigo hoje, Deus sempre me mandando socorro. Logo mais tarde a presença do anestesista responsável, senti confiança no profissionalismo dele que me afirmou que será imprescindível que tudo seja feito com anestesia local para que eu permaneça consciente durante o feito para melhor possibilidade de sucesso, me garantindo que apenas sentirei as pequenas agulhadas das anestesias e ouvirei o abrir do meu crânio durante pouquíssimos minutos, a cicatriz será mínima e conforme for tudo, inclusive minha recuperação na próxima sexta retornarei para a casa aguardando então o resultado final da análise do tumor que nos dará por fim o tipo de tumor que possuo e qual o método será usado para minha cura.
Não bastaram por ai as surpresas de hoje, meu esposo me acompanhou até o fim do horário de visitas e em teus braços me rendi por breves instantes, pois sei que amanhã não o poderei abraçar e beijar antes da cirurgia, mas não senti despedida no nosso ato e isso também me conforta e tenho certeza de que o verei assim que me recuperar amanhã mesmo. Outra grande emoção foi ver por webcam meu filho lindo rindo para mim, juntamente com minha cunhada,cunhado,sogra,sobrinho, foi muito bom,embora a carinha de saudades do meu filho não pudesse ser disfarçada eu senti todo o amor que temos quando junto estamos e isso é um combustível essencial para mim, sempre, quanto mais agora. Nesses momentos tão arriscados de vida, principalmente no qual temos consciência dos risco é que devemos nos agarrar com as duas mãos e erguer nossos olhos Àquele que nos entende as Mãos, Deus, preparou meu caminho já sabendo que essa minha luta viria e não tenho como, nem quero me vendar a isto. Meu filho recusou-se a me dizer TCHAU hoje e não pude conter as lágrimas perante isto, mais um sinal de que tudo correrá bem.
Mais uma vez "sozinha" aqui, tentando relaxar, conversas emotivas com minhas irmãs, mas o sentimento de força, fé, sempre presente. Tentando ser forte busco ao máximo não chorar ,mas a emoção inevitável vem quando mensagens e demonstrações de amor me são feitas. Hoje um grande amigo meu Pedro Rodrigues me homenageou em sua rádio no site Ponto Comum e foi incrível a transformação do meu semblante que já modificado pela intervenção de medicações fortes, noites mal dormidas transpareceu o sorriso e me sinto muito melhor para enfrentar o próximo passo.
Para completar Deus mandou-me mais uma mensagem através de um amigo,que assim dizia:
"Chore para Deus o choro não cai o choro da alma sobe, sobe, sobe vai. Chorando para Deus você move o céu ,o choro no céu é uma cachoeira no trono de Deus"
Obrigada à todos pelo carinho,atenção,acompanhamento,força,orações.Amigos amados,nem vou citar nomes por enquanto para não gerar ciúmes...eheheh
Aviso logo que os risco de encontrarem SHIT ou Chiclete amanhã é grande!kkkkkkkkk
Filho meu,falta pouco,logo mamãe vai poder te fazer dormir denovo e brincar contigo mais que antes.PROMETO!Até amanhã!AMÉM!
| A CONFIRMAÇÃO DOS FATOS | domingo, outubro 25, 2009 |
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23 de Outubro,o despertar em outra cama de hospital,depois de uma noite de sono escuro, pesado, sem sonhos. Hoje um sentimento gélido congelou-me o sangue nas veias por breves segundos quando a notícia do tumor cerebral residente em mim foi confirmada. Uma profusão de sentimentos cortando o coração como lâmina afiada, mas a todo momento, embora a mente confusa em admitir os fatos, um doce fogo suave aquecia meu coração e as lágrimas escorriam como gotículas que suam de uma pedra de gelo. Meus olhos perdidos sem saberem aonde fitar, percorreram as paredes do quarto sem foco, se misturando com o semblante da médica que cautelosamente me explicava a situação, tentei fitar o chão em tristeza, mas um salto dos meus olhos me fez olhar para cima e então eu pude mais uma vez sentir de onde vinha aquele calor emanado ao meu coração. Deus, me acalmando mais uma vez no seu amor imensurável.
Seguro o telefone e o silêncio se quebra ao eu ter que falar ao meu marido, mas o tremor na garganta não venceu a calmaria que me veio à voz enquanto a amargura da realidade lhe era confirmada, senti no timbre dele o desespero contido, sem palavras a expressar a dor, medo....normal sentir isso, meus olhos também se encheram de lágrimas, mas tudo o que pude transmitir era o sentimento de positividade, da fé que me move cada vez mais e a esperança que Deus planta em meu coração a cada instante. O consolo do Espírito Santo de Deus afastava qualquer tentativa de pranto e certamente as mãos do meu Anjo da Guarda me confortavam os ombros.
Minutos de reflexão deitada em meu leito provisório, digerindo aos poucos os fatos, me preparando então para anunciar às minhas irmãs, pais, amigos, sem ensaios para as palavras me pus na companhia da tecnologia e por fim foi-lhes dito. Não queria jamais ver os que amo chorando de tristeza por mim, mas isto me faz ver o quanto eles me amam também e nossas forças juntas só crescem.
O amor que tenho recebido, carinho, apoio, palavras, orações têm sido primordiais neste momento que ainda nem consigo descrever o quanto.Sozinha não estou e nunca estive, essa certeza também tenho.O restante do dia em companhia de pessoas até então estranhas, o messenger como veículo me fazendo passar o tempo com mais tempero. Minhas irmãs, ninas tão amadas de plantão comigo, acompanhando cada momento, estamos muitos sintonizadas e isto me faz um bem enorme, as mensagens lindas que tenho recebido de amigos muito especiais, até dos que pouco me conhecem. A saudade de casa é enorme, nunca senti tanta falta da minha cama, do aconchego do corpo do meu marido e filho, se antes eu já tinha uma valorização desses detalhes tão importantes, agora mais ainda. Sem sombra de dúvidas sairei daqui uma outra pessoa, com novas visões, conceitos, experiências. Nunca fui de ter idéias pré-concebidas das coisas, sempre deixei que os fatos e as ocasiões moldassem tais pensamentos porque só a vivência deles ensinam... e se tem algo que já aprendi é a ter paciência, anos atrás estaria maluca neste quarto de hospital, mas tudo o que tenho vivido, erros, acertos, casamento, maternidade, convivência, descobertas, mudanças... enfim, a sede de vida e de vitória só crescem e Deus proverá isso! Que Deus me dê sono e que as trevas passem me dando a chance de viver sempre mais um dia, abrir meus olhos, receber o bom dia tão maravilhoso da boca do meu filho e o doce beijo do meu amado esposo.
| O COMEÇO DA TEMPESTADE | sábado, outubro 24, 2009 |
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Nada é demasiadamente concreto,até o momento que as coisas mudam radicalmente,mesmo quando não se espera.
Há momentos determinantes na vida que nos levam a reflectir e ter uma maior diferenciação dos acontecimentos,dos valores,das pessoas que nos cercam e o que de fato está ligado à nossa vida e ao propósito da nossa existência.
A todo instante a vida nos lança desafios,escolhas,caminhos e sempre temos que sacrificar algo em prol de algo.Por mais cautela que se tenha o inevitável surge e o que fazer perante uma situação emergente?O que fazer quando um forte vento nos arrasta à beira do precipício sem corda ou pára-quedas?
Cessando um pouco a filosofia,eis-me aqui na realidade.Um acordar de um dia aparentemente normal,dia 15 de Outubro de 2009,sem podermos prever Deus providencia para que dos males o menor aconteça.Meu filho foi à escola,um beijo gostoso e o semblante dele alegre indo na carrinha.Vesti-me e decidi ir à aula de código,por cuidado de Deus decidi sair antes do horário de lá,sendo assim meu amado me buscou e fizemos o almoço juntos em casa,me sentia absolutamente perfeita fisicamente e minutos antes dele voltar ao trabalho o inesperado aconteceu,em pé não senti minha perna direita e instantaneamente uma sensação de tremor dominou meu corpo,como se eu estivesse em pleno terremoto sozinha e em seguida apaguei,amparada pelos braços do meu esposo fui ao chão em convulsão e aproximadamente 15 minutos de inconsciência o socorro médico chegou,quando voltei à lucidez fui me recuperando rapidamente,mas ainda assustada e confusa.Então fui conduzida até ao Hospital aonde fui analisada e submetida a um exame designado TAC no cérebro aonde foi identificado uma lesão não muito bem definida devido as limitações do próprio exame,mesmo assim fui dirigida à internação para averiguação cautelosa do caso.
A espera só começou a partir de então e as agulhadas,drogas,extrações de sangue para análises e uma enorme interrogação nos pensamentos,mas o momento mais precioso esperado passou a ser da realização de uma ressonância magnética e que para minha agonia mental só aconteceu no dia 21 de Outubro,quase uma semana após minha internação.Não consigo esquecer os vastos minutos dentro daquela máquina branca,cilíndrica,com ar espacial...inerte,olhos abertos,o observar no silêncio do meu coração,não precisei fechar meus olhos para que um filme da minha vida se projetasse em minha retina...momentos,pessoas,faces, tristezas,alegrias e como uma morfina em minha alma,senti uma presença maior ali,Deus com certeza,me amparando com seu Santo Espírito,saí dali anestesiada,apenas tendo em conta a sensação.Depois a espera pelo resultado,Doutor Pedro sempre tentando me tranquilizar,mas no fundo eu já sabia que algo existia além,a compaixão nos olhos dele o denunciava.
Vasta noite de horas perdidas,olhos vermelhos entorpecidos pelos remédios,um ansiedade cruel pelo tal resultado,uma manhã perdida sem nada concreto informado.Se não bastasse o jejum alimentar pelo segundo dia seguido esse jejum de informações,de soluções.Já se passavam as 16 pm,meu sangue começava a ferver,inquietude,a cama parecia quente demais,não contive,accionei o alarme e solicitei a presença do médico.A notícia da transferência para o Hospital Santo Antônio em Porto foi então a novidade sob o argumento da avaliação do meu caso por uma equipe de neurocirurgia.Contactamos meu esposo por telefone e ele rapidamente providenciou os próximos passos,em menos de uma hora já estávamos a caminho amparados com muito carinho e positivismo pelo mesmo socorrista que outrora me buscara em minha casa quando a doença se manifestou.Vale ressaltar que a ansiedade perante os fatos não é maior do que o reconhecimento de que as coisas estão tomando rumos caminhando para o melhor,todo o amparo que estou tendo,carinho,cuidado,de todas as partes só tem contribuído para meu positivismo evoluir.Aos poucos ideias,concepções de várias coisas referentes à vida vão tomando um molde diferente,ainda é cedo para conclusões,mas minha maior certeza agora é do AMOR e PODER de Deus,o qual sou infinitamente grata,pois mais do que nunca sei que Deus sem nós continua sendo Deus,mas nós sem Deus não somos nada.
| Nostomania Por Ti | sexta-feira, outubro 16, 2009 |
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Nostalgia
Daquilo que cativou-me
Um dia
E arrancou-me risos
Suspiros,gemidos
Gozos e euforia.
Como um vento forte
Emaranhas meus cabelos
Elevas meu corpo
Me fazendo levitar
Me envolves por completo
Trazendo-me todo o afago
Como se o mundo parasse
E eu não pudesse mais chorar.
Sonhos
Desejos
O que tanto minha matéria
Cansada
Fragilizada
Precisava
Mas de repente
Partes
Me soltas
Em queda livre sou lançada
Nua
A tua carícia que me refrescava a alma
Levou minhas vestes
E agora,tão prestes
Me abandonam à míngua
E teu sabor já não sinto
Mesmo que eu te toque com a língua.
(Lígia Breyer)
| Quando o Coração fala a Mente Silencia | sexta-feira, outubro 16, 2009 |
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| Imergindo em Mim | sexta-feira, setembro 25, 2009 |
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Só hoje não quero ao teu lado me deitar
Esta noite quero só para mim
Na minha solidão
Que mesmo te tendo tão perto não passa
Quero mergulhar no meu eu
Ultrapassar meu além
Girar a ampulheta
E deixar a areia do tempo fluir.
Um dia eu prometi
Não mais fugir de mim
E não me deixar por mais ninguém
Essa promessa vou cumprir
Até ao fim.
Olho para ti e te vejo parado
Inerte no tempo
Olho para mim
E a rotação é constante
E meus passos são longos
Apressados
Isso significa amor que o espaço entre nós é cada vez maior
Esta cada vez mais difícil regressar
Por que não corres até mim?
Como era no dia que nossas órbitas se chocaram
Não importa onde, como
Tem que ser agora
Tudo o que me importa não é aquilo que temos
Mas o que acreditamos
Ultrapassando aquilo que podemos ver
Então eu ando
E arrasto meus sonhos pelas costas
E quando canso
Empurro-os para frente
E quando paro, repouso sobre eles
Jogue-se comigo
Aprenda a voar
Uma asa embora curta pode te sustentar
Mesmo que por poucos minutos
Se alimente dos pequenos grandes detalhes
E aprenderás toda a essência da vida
Então suas asas serão grandes
E todos os precipícios serão meramente
Uma pedrinha abaixo dos teus pés.
Não tente me prender
Nem ouse me algemar
Ou jamais desejarás de novo amar
Meu passado é preenchido
Meu presente descoberto
E meu futuro tudo aquilo que eu puder acreditar
Portanto acredite
Ainda é tempo
Antes que eu voe com o vento
E não possa mais voltar.
Ainda estou aqui
E não me importo com nada do que possa acontecer
Desde que estejas ao meu lado
O impacto da convivência
A lei da sobrevivência
O que está ganho não está garantido
Deixe-me só
Somente esta noite
Para eu saber onde estou
E a vida que eu tinha antes
Para eu confirmar quem sou
E o quanto mais eu posso ser
Me resgatar
Sempre que minh'alma tentar de mim escapar.
(Lígia Breyer)
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